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Espaços e Arte

Templo Principal

Templo Principal

O templo principal do nosso centro é o primeiro em estilo tibetano na América Latina e começou a ser construído por Sua Eminência Chagdud Rinpoche em 1995. Seu nome tibetano é lha kang, que significa, literalmente, “casa das deidades”. Foi planejado para servir como o coração das meditações e das cerimônias dos alunos brasileiros, consolidando o Khadro Ling como a sede da linhagem na América do Sul. A consagração do templo ocorreu em 1998, no contexto de um primeiro evento com o renomado mestre Namkha Drimed Rinpoche.

A partir desse momento, com a vinda de vários artistas da Ásia, um meticuloso trabalho teve início, definindo e elevando o significado de cada espaço do templo, e oferecendo um contato único com a refinada iconografia sagrada do budismo tibetano. Chagdud Rinpoche, que era um mestre nas artes sagradas, supervisionou cada detalhe, desde a arquitetura até as pinturas, murais e estátuas, trabalhando diretamente na confecção de muitos dos monumentos do Khadro Ling. As estátuas e os afrescos retratam seres iluminados com riqueza de formas e de cores, nos aspectos femininos, masculinos, pacíficos e irados. Cores, implementos, símbolos e formas representam a radiância das qualidades da natureza iluminada.

Dentro do templo, a parede da direita conta a história de Buda Shakyamuni, nascido na Índia como o príncipe Sidarta Gautama há aproximadamente 2.500 anos. Na parede da esquerda, estão imagens do chamado “segundo Buda”, o sábio indiano Padmasambava, conhecido como Guru Rinpoche no Tibete, junto com seus principais discípulos tibetanos. Os afrescos das mandalas de deidades exibem os seres iluminados como descritos nas escrituras, como expressões da mente iluminada e fonte da sabedoria das práticas.

O altar principal do templo abriga estátuas de deidades e as coleções dos textos sagrados das palavras do Buda em tradução tibetana, o chamado Kangyur, bem com os comentários dos eruditos indianos dos séculos posteriores, o Tengyur. Obras coletadas de mestres da tradição Nyingma do budismo tibetano completam a coleção sagrada.

Pendurados no teto, os artefatos de brocado conhecidos como estandartes da vitória representam a conquista sobre as negatividades da mente, como a raiva e a aversão, a inveja, o orgulho, a ignorância e o desejo egoísta. Acima das bancadas de meditação estão liturgias para meditação, em estojos de tecido, e os instrumentos musicais tradicionais, como instrumentos de sopro, címbalos, sinos, conchas e tambores, usados durante as cerimônias.

As estátuas e as imagens das deidades, os textos sagrados e os implementos rituais representam o corpo, a fala, a mente, as qualidades e as atividades iluminadas.

Como expressão da homenagem a esses aspectos, oferendas de lamparinas e de tigelas com água são feitas diariamente no altar. Além de nos recordar da nossa própria natureza búdica, as oferendas nos permitem treinar qualidades como generosidade, paciência, disciplina, perseverança, concentração e sabedoria, gerando mérito para benefício nosso e de todos os seres.

O templo principal abriga elaboradas cerimônias e retiros, tendo acolhido mestres de distintas tradições em rituais e em ensinamentos raros no Ocidente e mesmo na Ásia. A ressonância dessas práticas permanece viva no ambiente, convidando à introspecção e ao exame da motivação e da conduta.

Antes de entrar no templo, os visitantes devem desligar o celular, tirar os sapatos e acessórios que cubram a cabeça. É respeitoso vestir-se adequadamente, especialmente no templo, observando, ainda, regras básicas de conduta da comunidade como não matar insetos e cuidar da limpeza e da integridade do local.

Para preservar a atmosfera sagrada e artística e prevenir o mau uso de imagens sagradas, não é permitido fotografar o interior do templo.

Terra Pura de Padmasambhava

Terra Pura de Padmasambhava

A Gloriosa Montanha Cor de Cobre (Zangdok Palri)

Esta é uma réplica do palácio e da terra pura de Guru Rinpoche (Padmasambava), um lugar que nos recorda dos reinos que estão além do sofrimento, sendo um claro lembrete da intenção iluminada de Guru Rinpoche, mestre responsável por levar os ensinamentos de Buda da Índia ao Tibete no século VIII.

A Terra Pura foi o último projeto de Chagdud Rinpoche. Antes do seu falecimento, em 2002, Rinpoche deixou esboços e instruções. A construção foi coordenada por Chagdud Khadro, esposa de Rinpoche e diretora espiritual do Chagdud Gonpa Brasil, sob a supervisão magistral de Dzongsar Khyentse Rinpoche. Lama Rigdzin Samdrup foi responsável pelas consagrações dos espaços nas diferentes etapas da obra. Uma refinada curadoria artística reuniu estátuas e pinturas que retratam mestres do budismo e facetas da história de Guru Rinpoche. O primeiro andar abriga uma estupa com as cinzas de Chagdud Rinpoche.

A consagração do espaço ocorreu em 2008, em cerimônia liderada por Dzongsar Khyentse Rinpoche e outros 23 lamas do Tibete, do Nepal, do Butão e dos Estados Unidos, além de cerca de 600 praticantes, tornando-se um marco na história do budismo no Ocidente.

Viabilizada pela motivação compassiva de Chagdud Rinpoche e pelos propósitos altruístas de todos cujas oferendas tornaram possível a presença dessa construção sagrada no Khadro Ling, A Gloriosa Montanha Cor de Cobre materializa a aspiração de que todos os seres que vierem até o local, virem sua imagem, ouvirem falar dela, lembrarem dela ou sonharem com ela possam renascer em reinos puros.

Estupas

Estupas

Construídas desde a época de Buda, as estupas são representações simbólicas de sua forma ou memoriais de seus feitos, projetadas e edificadas de acordo com as diretrizes estabelecidas nos ensinamentos. As estupas representam a mente iluminada de Buda, o perfeitamente desperto, que obteve todos os sinais da forma perfeita, as 60 qualidades da fala perfeita, o poder, a energia e o amor ilimitados da mente iluminada.

O arranjo disponível no Khadro Ling é uma série de oito estupas dispostas juntas, baseadas em modelos específicos construídos por alunos de Buda em oito locais sagrados da Índia, associados a acontecimentos e a feitos milagrosos que ele realizou. Milhares de mantras, além de estátuas e relíquias sagradas, oferecidas por altos mestres da linhagem, preenchem o seu interior.

As oito estupas foram construídas com participação e supervisão direta de Chagdud Rinpoche, que também dirigiu a consagração final, em setembro de 2001, com a presença de Chagdud Khadro, Tromge Jigme Rinpoche, Tulku Sangngag Rinpoche e outros lamas e membros da sangha do Chagdud Gonpa.


Textos sagrados explicam os benefícios de contemplar o significado das estupas. Caminhar ao redor delas com veneração, mantê-las e embelezá-las com oferendas, como flores e incenso, nos colocam em contato com nossa própria natureza búdica e estimulam nossas mais elevadas aspirações altruístas e espirituais para o benefício de nós mesmos, do mundo e de todos os seres.

Todos que virem, circum-ambularem (moverem-se ao redor do objeto sagrado em sentido horário), fizerem preces devocionais ou oferendas para a manutenção das estupas estarão conectados à intenção iluminada de Buda Shakyamuni e às aspirações altruístas de todos cujas oferendas tornaram possível estas construções sagradas, permitindo que atinjam a iluminação última sem empecilhos.

Estátua de Guru Rinpoche

Estátua de Guru Rinpoche

Guru Rinpoche, Padmakara ou Padmasambava, conhecido também como “Aquele que Nasceu do Lótus”, é venerado como uma emanação tanto do Buda Amitaba como do próprio Buda Shakyamuni. Mestre responsável por levar os ensinamentos de Buda da Índia ao Tibete no século VIII, realizou incríveis feitos que suplantaram adversidades e obstáculos, fazendo o Darma florescer em terras tibetanas.

Guru Rinpoche corporifica todas as manifestações e as qualidades do professor perfeito, que guia seus discípulos com sabedoria e com compaixão. Sua manifestação e sua história nos relembram da importância de encontrarmos professores infalíveis, capazes de oferecer métodos genuínos para sobrepujar a dor e a incerteza da existência condicionada e nos conduzir até a liberdade última e a iluminação.

Foi a primeira das estátuas construídas no Khadro Ling, esculpida por Chagdud Rinpoche e alguns de seus alunos no verão de 1998. Posteriormente, foram agregadas à estátua de Guru Rinpoche as representações de Shantarakshita (esquerda), filósofo e abade do mosteiro de Samye, e do Rei Trisong Deutsen (direita). Juntos, os três foram responsáveis por realizações como a construção do Mosteiro de Samye, o mais antigo do Tibete, suplantando enormes empecilhos. As duas estátuas menores são de autoria de Dendup, artista butanês morador do Khadro Ling.

Estátua de Buda Akshobya

Estátua de Buda Akshobya

A estátua de Akshobya impõe-se na paisagem. Esculpida por Chagdud Rinpoche e alguns de seus alunos, atrai imediatamente os olhares de quem chega ao espaço sagrado do Khadro Ling.

A história de Akshobya inicia em outro sistema de mundo e em outra era. Certa vez, um monge levantou-se em meio à assembleia reunida diante do Buda naquela era e fez o voto de seguir o caminho do bodisatva e de jamais sucumbir à raiva. O Buda, muito satisfeito e reconhecendo a determinação do monge de manter o seu voto, lhe deu o nome de Akshobya, que significa “inabalável” em sânscrito.

Por meio de seu voto inabalável, Akshobya transmuta o veneno da raiva, purificada e revelada como a sabedoria semelhante ao espelho. Assim como um espelho reflete todas as coisas sem ser alterado por elas, essa sabedoria permite ver a realidade exatamente como ela é, com clareza cristalina, sem os filtros do julgamento ou da aversão.

O Buda Akshobya também prometeu que, por meio de cem mil recitações de seu mantra e da confecção de uma imagem sua, qualquer ser poderia ser liberado do renascimento nos reinos inferiores da existência. Sendo assim, a recitação do mantra de Akshobya é muito praticada em benefício de pessoas que tiveram uma morte violenta, faleceram de suicídio, aborto, e também de animais.

A recitação de sua prática invoca a coragem e a paciência necessárias para enfrentar conflitos sem reagir com violência. A bondade de Chagdud Rinpoche permitiu estabelecer no Brasil um grupo devotado de praticantes de Akshobya.

Rodas de Oração

Rodas de Oração

A roda de oração é um cilindro ornamentado, feito de metal ou de madeira, preenchido com rolos de papel nos quais estão escritas preces e mantras sagrados. Nas rodas de oração giram bilhões de mantras, criando uma ressonância da intenção iluminada dos budas. Com o movimento, é como se as orações fossem recitadas continuamente e as bênçãos se espalhassem em todas as direções. Girar uma roda de oração contendo mantras dos seres iluminados, como Guru Rinpoche, Chenrezig e Tara, é uma prática milenar do budismo, principalmente tibetano.

Um mantra é uma fórmula espiritual concentrada e poderosa em língua sânscrita. As palavras ou sílabas sagradas são recitadas repetidamente para focar a mente durante a meditação, desenvolver paz interior e clareza, e criar proteção contra energias negativas. Cada mantra expressa, ainda, a quintessência da intenção iluminada da deidade respectiva e leva o praticante a integrar a sabedoria e o poder espiritual dela em sua própria mente.

No Khadro Ling, Chagdud Rinpoche instalou 42 grandes rodas de oração com os mantras dos principais budas e deidades de meditação praticadas no centro. Cada roda abriga rolos de 1.500 kg de papel fino, impresso com até dez milhões de mantras, um número que foi explicitamente pedido por ele. O giro constante das rodas faz com que os mantras irradiem suas bênçãos a todos que entram em contato com elas, com votos de que a melodia da sabedoria prevaleça na mente dos seres.
Casa de Lamparinas

Casa de Lamparinas

Inúmeras lamparinas são acesas diariamente no Khadro Ling, uma prática que remonta a uma tradição milenar. A luz das lamparinas, alimentada pela força de preces e de aspirações, surge para dissipar o sofrimento e a escuridão de todos os seres.

Em ocasiões especiais, a sangha (comunidade de praticantes) se reúne para acender o altar completo da Casa de Lamparinas, que comporta cerca de 3.000 lamparinas, recordando a bondade de Chagdud Rinpoche e renovando suas mais profundas aspirações em prol do benefício de todos os seres. A recitação conjunta de preces preenche o ambiente, tingido pelo dourado das chamas.

Diariamente, praticantes voluntários se revezam na limpeza do espaço, na manutenção e na confecção das lamparinas. Todas as pessoas interessadas podem fazer oferendas com a intenção de gerar felicidade e bem-estar para outros seres.
Bandeiras de Oração

Bandeiras de Oração

Nas bandeiras de oração está impresso o mantra de Amitayus, o buda cuja intenção iluminada sobrepuja a doença e a morte prematura.

Novas bandeiras, hasteadas todos os anos, renovam a aspiração de que todos os seres que forem tocados pelo vento que sopra nas bandeiras de oração recebam as bênçãos de Buda Amitayus e sejam beneficiados pelas aspirações dos patrocinadores das bandeiras.

A torre de bandeiras surgiu como um dos primeiros projetos do Khadro Ling com o mestre butanês Lama Rigdzin Samdrup, em 2005, para viabilizar uma oferenda de mais de dois milhões de mantras impressos de Amitayus em alusão ao aniversário de 60 anos de Chagdud Khadro, diretora espiritual do Chagdud Gonpa Brasil, em janeiro de 2006.

Em 2024, excepcionalmente, as bandeiras hasteadas traziam uma prece de Chatral Rinpoche para evitar guerras, atendendo a um pedido de Tulku Padma Wangyal Rinpoche a Chagdud Khadro. O pedido deu origem a um projeto de tradução da prece em 11 línguas, transpostas às bandeiras que estão também à venda na Loja do Templo.
Jardim das 21 Taras

Jardim das 21 Taras

Este jardim ao fundo do templo principal abriga estátuas de pedra esculpidas na Índia. Tara é o Buda feminino, conhecida como a "Salvadora Veloz". Ela foi uma princesa e praticante consumada, que, antes de alcançar a completa iluminação, fez o voto de sempre manifestar-se em uma forma feminina para beneficiar os seres e demonstrar que a iluminação surge da perfeição da nossa mente e não está relacionada ao gênero.

Em nossa tradição, rezamos e fazemos oferendas à Tara para nos libertarmos dos grandes medos que advêm das emoções negativas e para remover obstáculos mundanos e espirituais, para que possamos alcançar nossas mais elevadas aspirações. Tara é a grande mãe que manifesta sabedoria e compaixão e que responde velozmente às nossas necessidades.

As 21 Taras representam qualidades como compaixão, amor e alegria e emanam como deusas das famílias búdicas diferentes. Os métodos empregados para atingir as qualidades iluminadas de Tara têm sido transmitidos por muitas linhagens perfeitas de praticantes altamente realizados do budismo tibetano.
Fonte de Tara Verde

Fonte de Tara Verde

Esculpida por Chagdud Rinpoche, esta estátua representa Tara Verde, a manifestação feminina da iluminação, a salvadora veloz cuja intenção iluminada sobrepuja a inveja e o ciúme. Tara é indissociável do estado desperto iluminado de Buda, da mesma forma que todas as deidades femininas são aspectos de Tara e indissociáveis dela.

Invocamos Tara Verde, conhecida como “A Salvadora da Floresta Perfumada”, para responder rapidamente aos medos contemporâneos. Em particular, aspiramos que o ciúme e a inveja se dissipem como névoa, e que o regozijo com a virtude realize espontaneamente atividades benéficas onde estas forem necessárias.
Os Quatro Amigos

Os Quatro Amigos

A estátua dos Quatro Amigos, criada por artistas butaneses residentes no Khadro Ling, é baseada no Conto dos Quatro Amigos Harmoniosos, que integra os Contos Jataka, uma coleção de mais de 500 fábulas budistas que narram as diversas vidas anteriores do futuro Buda.

As histórias mostram seu aperfeiçoamento moral na prática das Dez Perfeições (As dez paramitas), como generosidade, paciência e sabedoria, e sua evolução espiritual na jornada para a iluminação em seus inúmeros renascimentos. São fábulas que ilustram a infalibidade do carma e oferecem instruções éticas e espirituais sobre virtude, compaixão e respeito mútuo, incentivando a reflexão e a empatia.

O Conto dos Quatro Amigos Harmoniosos ensina que diferentes forças e qualidades combinadas de forma respeitosa criam harmonia e permitem conquistas mais sólidas, baseadas na cooperação, no altruísmo e nas virtudes do Darma.

“Certa vez, em uma majestosa floresta nos sopés do Himalaia, viviam quatro amigos: um elefante, um macaco, um coelho e um pássaro. Mas, com o tempo, o respeito mútuo entre eles diminuiu, e eles começaram a brigar e competir entre eles de maneira egoísta. Um dia, estando sob uma grande árvore figueira-da-índia, eles discutiram sobre quem merecia os frutos da árvore, cada um reivindicando sua senioridade em relação ao tempo de existência da planta. Assim, para determinar quem era o mais velho e o mais respeitado entre eles, cada um apresentou suas memórias mais antigas da árvore embaixo da qual estavam. O poderoso elefante falou primeiro, contando como, quando ele era apenas um filhote, a árvore também era bem pequenina. O macaco astuto relatou como, in sua infância, a árvore era apenas um pequeno arbusto. O coelho contou que ele havia visto a árvore quando esta era ainda uma muda sem folhas. Por último, o pequeno pássaro falou, contando como certa vez engoliu uma semente da árvore original e como, então, a majestosa árvore atual brotou, a partir dos excrementos que ele deixou cair. O pássaro, então, foi honrado como o mais ancião, e sua posição em antiguidade foi seguida pela do coelho, do macaco e do elefante. Com isso, a harmonia e o respeito mútuo prevaleceram novamente no grupo dos quatro amigos.”

Contando essa história, o Buda decretou que, a partir de então, a idade (além da sabedoria) conferiria prioridade entre os membros da Sangha. Além da importância de honrar os mais velhos e os sábios, a fábula também ilustra a importância da harmonia e da colaboração independentemente de tamanho ou força. A imagem dos quatro amigos apoiando-se uns sobre os outros para alcançar os frutos de uma árvore demonstra união e sabedoria na resolução de objetivos, para assim compartilhar as recompensas.
Estátua de Dzambala

Estátua de Dzambala

A estátua de Dzambala Vermelho, esculpida por Chagdud Rinpoche, representa uma das cinco deidades budistas da riqueza, sendo associado ao Buda Amitaba, o Buda da Terra Pura Ocidental (Sukhavati), e ao elemento fogo, que simboliza a transformação do desejo em sabedoria e a energia da magnetização. Incorporando o power cativantedos seres iluminados, Dzambala tem a capacidade de atrair condições favoráveis, pessoas certas e benfeitores, e apoio para nossas aspirações mundanas e espirituais.

Sua figura majestosa exibe uma cor vermelha intensa. Ele é adornado com sedas finas, ornamentos dourados e uma coroa, expressando a paixão e a qualidade magnetizante de um ser com abundância espiritual e material. Sentado sobre um lótus e um disco do sol, na mão esquerda ele segura um mangusto que cospe joias e, na direita, um galho com uma fruta cítrica, simbolizando um fluxo infinito de riqueza e a vitória sobre a ganância egoísta.

Por meio de mantras e rituais específicos, Dzambala é invocado para atrair não só riqueza e prosperidade material, mas também saúde, longevidade e circunstâncias auspiciosas, assim como abundância espiritual e sabedoria. Sua influência magnetizadora deriva de uma intenção genuinamente compassiva, transformando o desejo egoísta no calor da generosidade como provedor de abundância e pureza.

A meditação em Dzambala proporciona condições favoráveis e remove obstáculos à prática espiritual. Além disso, nos recorda de que a fonte de toda prosperidade verdadeira é a nossa própria generosidade, a virtude e o desejo genuíno de beneficiar os outros.
Dança dos Lamas

Dança dos Lamas

A Dança dos Lamas é uma forma de prática espiritual do budismo tibetano que mescla dança, música e trajes e máscaras rituais com o objetivo de conectar tanto quem dança quanto quem assiste à sua natureza mais profunda e verdadeira. Surgida há muitos séculos nos monastérios do Tibete, a Dança dos Lamas era apresentada tradicionalmente no contexto de elaboradas cerimônias conduzidas por Lamas e monges. Em algumas ocasiões específicas, a população que vivia no entorno dos monastérios podia assistir às danças para receber bênçãos e inspiração.

Quando veio para os Estados Unidos e para o Brasil, Chagdud Rinpoche treinou Lamas e praticantes leigos na Dança dos Lamas, estabelecendo essa tradição de forma cuidadosa e autêntica, incluindo a Dança dos Lamas regularmente em retiros, cerimônias e festividades locais. Embora a coreografia, figurino e música sejam executados estritamente de acordo com os ensinamentos e a linhagem que Rinpoche trouxe, é sempre enfatizada a importância de que a Dança dos Lamas seja baseada principalmente no que é chamado de “motivação pura”. Ou seja, não se dança apenas pela própria prática ou pela beleza da apresentação, mas para alcançar a iluminação e liberar os seres do sofrimento.

No Khadro Ling, a Dança dos Lamas é apresentada diversas vezes a cada ano tanto em retiros e cerimônias fechadas quanto em feiras locais abertas à população e turistas. Lamas e alunos antigos do Rinpoche vêm mantendo a tradição e ensinando novos alunos, inclusive crianças e adolescentes da comunidade de praticantes que se interessam por essa expressiva forma de meditação.

Confira abaixo o depoimento da Lama Yeshe Drolma, Lama residente do Chagdud Gonpa Dorje Ling, e uma das primeiras brasileiras a serem treinadas na Dança dos Lamas.

Depoimento de Lama Yeshe Drolma

“O Rinpoche dedicou um grande esforço para trazer da Ásia os trajes e artefatos necessários, além de produzir localmente as máscaras e outros materiais. Professores da Ásia e dos Estados Unidos também foram convidados para ensinar as diferentes danças aos alunos no Brasil.

Para realizar a primeira Dança do Chapéu Preto aqui, era preciso confeccionar os chapéus, que têm a estrutura interna de ferro. Rinpoche foi pessoalmente a Três Coroas com alguns alunos e explicou aos funileiros como fazê-los. O resultado foi bom, exceto por um detalhe esquecido: o forro interno, que protegeria a cabeça dos dançarinos. Mesmo assim, a dança aconteceu.

Rinpoche vestiu os trajes completos, assim como todos os dançarinos daquela primeira apresentação: Chagdud Khadro, Lama Tsering, Lama Norbu, Lama Sherab, eu e meu irmão Lídio — todos, com exceção de Lídio, viriam mais tarde a se tornar professores do Darma. Alguns iam para um lado enquanto outros iam para o outro; os pulos saíam em ritmos diferentes. No final, quando retirei o chapéu de Rinpoche, sabendo que sua cabeça devia estar doendo, disse: “Rinpoche, nós erramos os passos.” Ele me olhou e respondeu: “Eu estou muito feliz.”

A alegria dele era por instituir a Dança dos Lamas no Brasil e ter reunido todo o necessário para que isso fosse possível: os chapéus, as roupas e os implementos. Os erros nos passos eram secundários diante do que aquilo representava. Essa história é um ensinamento que vale lembrar sempre que dançarmos ou assistirmos às danças. Rinpoche certamente estaria muito feliz ao ver essa prática sendo mantida com diligência aqui no Khadro Ling e nos demais centros.

Para dançar bem, é preciso repetir os passos até que se tornem automáticos, como ensinava Chagdud Rinpoche. Quando a técnica está incorporada, a mente pode relaxar em meditação durante a dança e quem assiste percebe essa diferença. A Dança dos Lamas pode ser praticada por todos da comunidade do Khadro Ling — crianças, adolescentes e adultos, não apenas pelos professores. É um elemento importante de nossa prática.

Com o tempo, a dança foi oferecida também fora do contexto de prática. Esse tipo de apresentação aconteceu pela primeira vez na praça principal de Três Coroas, diante de uma plateia curiosa. Desde então, já foi levada a muitos outros lugares.

Rinpoche era generoso em compartilhar tudo o que sabia, esperando que seus alunos aprendessem e praticassem de tudo, sem se apegar a uma única atividade. Quando vemos qualquer atividade como uma bênção e como parte da prática, ela se torna exatamente isso — o mesmo se dá com a dança.”